quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sigfadhir: O pai da vitória no folk metal paulistano.



Uma banda incrível e de qualidade impecável aparece com sua Demo intitulada "Galdra Smidr" e felizmente o G.Grind conseguiu uma entrevista com essa banda que faz um trabalho extremamente digno com o melhor Pagan Metal possível.

Entrevista por: Caterine Souza

Sigfadhir: 

Vocalista: André Frekihugr
Baixista: Felipe Malavazzi
Guitarrista: Nickolas Vicentini 
Guitarrista: 
Fenris Fenrir
Baterista: Dubh Vandræðaskáld 



Gênero: Pagan Folk Metal


Caterine 1: Olá, Sigfadhir! Agradeço em nome do G.Grind, a oportunidade de entrevistá-los. Sigfadhir é um nome diferente e que significa, segundo o blog da banda, “pai da vitória”, ou seja, um nome que chega quase a exigir certo respeito por quem o pronuncia. O que levou vocês a escolhê-lo? E, uma dúvida minha, qual é a pronúncia correta de Sigfadhir?

Felipe: Realmente o nome tem um grande peso para nós, devido à tudo que ele representa. A escolha veio da mitologia Nórdica, em referência ao Deus Odin. O que nos levou ao nome Sigfadhir, veio de toda a nossa filosofia de vida que realmente é baseada no Paganismo, todos os membros da banda adotam princípios vindos das antigas religiões, a mensagem que passamos através das músicas vem desses ideais e temos forte influência da mitologia nórdica e consequentemente do Asatru, então o nome acabou sendo uma escolha natural. Agora a pronúncia... seria assim: CigFóder (o Ó é meio que um A mais fechado...), mas todo mundo diz Cigfadir, sem problemas!

Caterine 2: Pelo que pesquisamos, o logo da Sigfadhir teve algumas alterações desde quando a banda foi formada, certo? Embora a essência pagan / viking metal ter sido mantida, como é adequar essa “marca” ao som que vocês fazem?

Felipe: Nós acreditamos de verdade que os símbolos pagãos carregam algum tipo de poder consigo, e por este motivo os usamos em nosso logo. A trollkors representa bem isso, é a nossa proteção, nosso estandarte diante das batalhas que enfrentamos como banda. A mudança em usar letras no lugar das runas foi uma decisão de todos, já que a ideia é trabalhar nos sons um paganismo mais "raiz", sem muitas nomenclaturas, sem se prender apenas à cultura e espiritualidade nórdica.

Caterine 3: Cada um de nós carrega influências de tudo que vivemos e isso é algo ainda mais forte quando se trata de música. Quais referências de som, cada um de vocês trouxe/traz para a banda?

Dubh: Sempre apreciei muito as músicas tradicionais dos países nórdicos, com suas flautas, fiddles, músicas vocais, etc. E venho de uma banda de Black Metal (Black Achemoth). Acredito que misturo as duas coisas como influência.

Fenris: Minhas influências são bem variadas quanto a estilo. Mas posso dizer que minhas principais inspirações vêm de Dissection, Bathory, Agalloch, At The Gates, Hypocrisy, Carcass, Vintersorg, Storm, Summoning, Finntroll e muitas outras coisas. Também ouço um pouco de música erudita.

Felipe: Fora as bandas do gênero mesmo como Bathory, Ensiferum Moonsorrow, Menhir, Heidevolk e mais uma porrada aí... eu tenho bastante influência de Death e Black Metal e de outros estilos bem diferentes, ouço muito muito som folk e procuro muito ouvir músicas tradicionais de vários países - inclusive o Brasil - ouço muito Zé Ramalho, Raices de America, Almir Sater, Yann Tiersen, Altai Kai entre outros.

André:
Minhas influências nas criações da banda são principalmente de bandas como Otyg, Bathory, Storm, Tuatha de Danann, Kampfar, entre muitas outras, mas no geral, eu gosto de sertanejo raiz, musica clássica, musica tradicional Celta e Escandinava, rock psicodélico dos anos 70 e músicas com instrumentos bizarros.

Caterine 4: A temática, unida a sonoridade, é imprescindível ou fica tudo meio “vazio”. Como é o processo de construir a temática da Sigfadhir? 

Felipe: Na verdade é tão natural que nem precisamos construir nada! Hahahaha. Temos bastante afinidade quando o assunto é paganismo, somos bastante integrados nisso, não há discussão. Alguém chega com uma melodia, outro chega com uma letra, todo mundo gosta, fazemos alguns (muitos, rs) ajustes e a mágica acontece.

Caterine 5: Algo que encontramos ao pesquisar sobre a banda é que, inicialmente, o nome era Drunkagård com histórias de trolls, brigas de tavernas e bebedeiras para preencher as músicas. Como foi essa transição para a Sigfadhir “atual”?

Felipe: O Drunkagård foi um projeto que não deu certo... Antes desse projeto eu (Felipe) tinha com o André uma banda cover de Ensiferum, que foi o início de tudo. A banda não deu muito certo e o André me chamou para esse projeto, a ideia era ser um som mais descompromissado.... Acabou não indo para frente por falta de pessoas querendo tocar... Então ficamos muito tempo parados. Quando o André conheceu o Dubh, ele me ligou e falou: “Cara! Consegui um baterista, vamos voltar a tocar!” então na verdade foi um começo e não exatamente uma transição. Estávamos mais empolgados do que quando o Drunkagård começou, agora de forma mais séria e com uma proposta definida.




Caterine 6: Ainda sobre a temática, o paganismo e a mitologia como temas centrais da Sigfadhir formam algo muito interessante e que me trazem duas perguntas, quase dúvidas mesmo: vocês enfrentam alguma dificuldade por conta de estarem num país majoritariamente cristão? E quanto às crenças individuais de vocês, elas acabam influenciando as letras?

Felipe: Sobre cristãos, não temos problemas com isso. Claro que não dá para ignorar a raiva quando se olha para o passado e se vê quanta merda eles fizeram, empurrando suas crenças goela abaixo dos povos antigos. Isso é um lixo! Mas nos dias de hoje são eles de lá e a gente de cá. Não perdemos tempo falando mal deles, preferimos contar sobre as coisas da nossa própria crença. Sobre nossas convicções individuais, elas influenciam 100% nas nossas letras, são nossa principal fonte de inspiração.

Caterine 7: A demo ‘Galdra Smidr’, lançada em 2011, traz um folk enraizado através dos instrumentos clássicos desse tipo de som como a gaita de fole, flautas como a Tin whistle, etc. Como foi compor e gravar este trabalho de forma independente? E quanto à arte de capa, simples, mas ainda assim, incrível?

Felipe: Foi extremamente divertido e trabalhoso ao mesmo tempo! Hahahaha. Quem já experimentou produzir ou participar da produção de um CD de forma independente sabe o que passamos. Tirando a bateria, gravamos todos os outros instrumentos/vocais em casa, foi um belo de um improviso! E nos orgulhamos disso! Diante das opções precárias que tínhamos conseguimos gravar uma ótima demo. É como falamos entre a gente: esse trabalho é um registro de como éramos no início e é importante olhar para trás e dar o valor ao esforço feito. A capa é a mesma coisa, saiu de uma brincadeira com uma foto tirada em Monte Verde/MG, no Pico do Selado. O que era um teste acabou sendo definitivo.

Caterine 8: Se fosse para eleger um símbolo para representar o metal underground acho que seria a fita cassette. Por que resolveram disponibilizar ‘Galdra Smidr’, pelo selo da Pagan War, neste formato mais “old school”? 

Felipe: Na verdade, foi uma proposta que nos chegou da Pagan War. Havia uma oportunidade de atingir o mercado europeu desta forma e a aceitamos. Não existe uma preferência da banda quanto aos formatos, nosso som sempre vai estar disponível como for possível, seja K7 ou mp3 (ou as duas coisas ao mesmo tempo).

Caterine 9: O primeiro show da sua banda favorita, você nunca esquece. Fico imaginando o primeiro show no qual a sua própria banda se apresenta. O primeiro show da Sigfadhir já começou com tudo, em 2011 no primeiro Odin’s Krieger Fest! Contem-nos um pouco desta experiência, por favor!

Felipe: Essa experiência foi inesquecível! Na verdade, a demo ‘Galdra Smidr’ surgiu por conta deste show hahahahaha. Fomos convidados para tocar nesta, que foi a primeira edição do OKF, e a aceitamos na hora!!! Porém, havia um pequeno detalhe: não tínhamos nenhuma música pronta! Hahahahaha Daí, corremos com as composições para tocar neste show, e foi aí que surgiram todas as músicas que estão na nossa demo! O show foi inesquecível, éramos bastante inexperientes, mas fizemos nosso melhor, e a galera curtiu bastante. Temos até um DVD com esse show completo, limitado a 3 cópias (só para os integrantes do show em questão - Dubh, André e Felipe) hahahahahaha.

Caterine 10: Vocês costumam tocar em festivais, como o Odin’s, Thorhammerfest, entre outros e em feiras como a Entre Mundos. Tocar em ambientes de mesma característica e até mesmo “misticismo” que a Sigfadhir traz é mais interessante para vocês?

Felipe: Sim, é sempre muito bacana tocar em festivais que carregam esta "mística" em sua aura, como a incrível Feira Entre Mundos, que acontece uma vez ao ano na cidade de Várzea Paulista/SP. Mas além destes festivais há espaço em outros eventos não temáticos, nos quais já tocamos com bandas de heavy, thrash, black metal, e fomos muito bem recebidos! A questão vai um pouco além do estilo do festival. É triste - mas necessário - afirmar que muitos produtores de eventos por aí não respeitam as bandas, fazem mil exigências para as bandas nacionais sem proporcionar o mínimo de estrutura e ajuda de custo, e BABAM OVO das bandas gringas... Mas como dito anteriormente, não perdemos tempo choramingando. Tocamos onde nos é oferecida a condição para tocar e fazemos o nosso melhor, sempre!

Caterine 11: Vocês são, com o perdão da palavra, fodas mesmo! No mesmo ano de 2013, a Sigfadhir abriu para os finlandeses do Turisas em Março e para os russos da Arkona em Novembro. Como foi dividir palcos com estas bandas incríveis?

Felipe: Não sei nem como descrever. As duas bandas são influências gigantes para a gente, eu (Felipe) particularmente sempre fui fã de Turisas e foi uma das primeiras bandas do estilo que tive contato. O Arkona também é uma banda muito foda e eu jamais imaginei que conseguiria vê-los tocando no Brasil, ter a oportunidade de abrir o show deles foi incrível. Foram duas experiências fantásticas para nós.

Caterine 12: Tanto ao vivo, como no YouTube, pude acompanhar a Sigfadhir tocando covers impecáveis de Bathory e Heidevolk. Como mesclar trabalhos autorais com músicas de bandas aclamadas, sem aquela comparação por meio do público com as faixas originais?
Felipe: Na verdade se você prestar atenção, os covers que fazemos são versões de músicas que admiramos muito, que são verdadeiras influências para nós. E elas têm as nossas características! Tanto é assim que as consideramos tributos, homenagens aos nossos "mestres". No início colocamos essas músicas para aumentar o tempo do setlist, já que só tínhamos 4 sons autorais. Mas hoje, mesmo com mais músicas próprias, ainda incluímos elas nos sets, sempre tentando um cover novo. É divertido para nós, e o público sempre aprecia.

Caterine 13: Como está a agenda da Sigfadhir  para este finalzinho de 2015? E quanto ao futuro, o que planejam e esperam?

Felipe: O Sigfadhir está sem shows previstos, nós estamos trabalhando nas músicas do álbum novo e pretendemos gravar em breve. Cada membro tinha algumas questões pessoais para se dedicar, então decidimos parar de tocar e nos focar nisso. A ideia é voltar nos próximos meses para os palcos com material novo.

Caterine 14: Para finalizar nossa conversa, gostaria de agradecê-los novamente em nome do G.Grind pelo tempo e disposição de vocês e deixar aqui meus desejos de sucesso e longa vida a Sigfadhir. O espaço final é livre pra vocês!

Felipe: Nós é que agradecemos pela oportunidade de poder contar um pouco mais sobre a gente e sobre os projetos para o futuro. Também queremos parabenizar o G.Grind pelo excelente trabalho com as bandas da cena underground, sucesso e longa vida pra vocês! Para aqueles que quiserem conhecer um pouco mais sobre a gente é só acessar os links abaixo: 

https://www.facebook.com/Sigfadhir
https://sigfadhir.blogspot.com
https://www.youtube.com/channel/UCqYQvafyaHIN2fGqrId4diw




Postado por: Renan Martins

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